Há dias, demasiados dias, em que me sinto péssima em tudo. A memória falha, muito mais do que a idade justifica. O corpo dói, muito mais do que as doenças explicam. A produtividade desvanece sem que haja motivos aparentes. O cansaço ganha.
Quando deveria ter ganas de escrever como é mágico organizar o casamento com o homem da minha vida, escrevo na penumbra da noite, numa insónia carregada de frustração, sobre frustração.
Porra!
Deitar-me num país que não valoriza as suas pessoas é deitar-me com a raiva de quem já não sabe como inverter a situação. Ver a frustração do meu amor por ter de, por força da necessidade, ter aceite um emprego, na área de formação... numa suposta grande empresa, com prémios xpto de boa gestão de pessoas, estar a trabalhar 10 horas por dia, sob uma pressão monstra, para ganhar uma miséria... É dilacerante.
Perceber, sem falsas modéstias, que um profissional incrível, com provas dadas, está votado a uma situação de desgaste tremendo, por força das necessidades, destrói-me.
Como se dá a volta a isto se as contas caem todos os dias? Se os horários são tão apertados e o controlo tão rígido para conseguir ir bater a outras portas.
Estamos, cá em casa, numa fase de adaptação a novas rotinas, a novos cortes "orçamentais", a novas e difíceis logísticas diárias. Como em tudo, estas mudanças causam dores de crescimento. Se por um lado há alturas em que apetece erguer a cabeça e continuar com o sorriso que me caracteriza, há dias em que ao mínimo pensamento negativo, as lágrimas correm sem estanque possível.
Lembro-me de uma fase terrível na minha adolescência em que se havia dia em que não chorasse, era um dia vitorioso. Foram meses insanos, meses de uma violência psicológica demasiado pesada para aquela menina frágil e sonhadora. Foram meses de luta contra o medo, não o medo de pessoas e situações, mas o medo de não conseguir. O medo absurdo que se alicerçava e alimentava na crença que perpetuava... Eu nunca seria capaz... Eu não era forte como os outros, eu não tinha as mesmas armas, eu não seria capaz de chegar onde ambicionava e onde os outros pareciam chegar sem qualquer esforço.
Lembro-me da adolescente frágil e desconfiada. A adolescente que, apesar de nunca ter tido a capacidade de pedir ajuda, conseguiu parar de chorar. Conseguiu atingir aquilo que ambicionava na altura. Essa adolescente, agora jovem, já só tinha recaídas nos dias mais difíceis, mas levantava-se e sorria, gargalhava até.
Essa adolescente, depois jovem, agora adulta, caiu muitas mais vezes, teve muito mais fases negras. Mas, contrariamente ao que acreditava, ela conseguiu. Ela consegue! Pode demorar. Oh, se demora! Mas ela consegue!
...
Hoje, no meio dos medos, das lágrimas, das responsabilidades, das rotinas, foco em lembrar-me daquela adolescente que fui. E, ao contrário do que fazia na altura, acreditar!
Uma cabeça em constante ebulição. Uma tentativa absurda de controlar mentalmente tudo. Uma miúda não raras vezes destroçada com medo do futuro.
Há mais de 3 meses que não ponho uma palavrinha neste blogue, em grande parte porque não me apeteceu, outra parte porque muita coisa se passou entretanto:
- Conheci Paris e foi fantástico;
- Tive um dia estrondoso no Douro e fiquei noiva <3;
- Comecei a organizar o meu casamento;
- O noivo fez anos;
- Fiz aniversário de namoro;
- Fiz anos;
- Foi o Natal e a passagem de ano.
Muitas novidades boas, 2018 será um ano especial!
