Das dores de crescimento

janeiro 18, 2018


Estamos, cá em casa, numa fase de adaptação a novas rotinas, a novos cortes "orçamentais", a novas e difíceis logísticas diárias. Como em tudo, estas mudanças causam dores de crescimento. Se por um lado há alturas em que apetece erguer a cabeça e continuar com o sorriso que me caracteriza, há dias em que ao mínimo pensamento negativo, as lágrimas correm sem estanque possível.

Lembro-me de uma fase terrível na minha adolescência em que se havia dia em que não chorasse, era um dia vitorioso. Foram meses insanos, meses de uma violência psicológica demasiado pesada para aquela menina frágil e sonhadora. Foram meses de luta contra o medo, não o medo de pessoas e situações, mas o medo de não conseguir. O medo absurdo que se alicerçava e alimentava na crença que perpetuava... Eu nunca seria capaz... Eu não era forte como os outros, eu não tinha as mesmas armas, eu não seria capaz de chegar onde ambicionava e onde os outros pareciam chegar sem qualquer esforço.

Lembro-me da adolescente frágil e desconfiada. A adolescente que, apesar de nunca ter tido a capacidade de pedir ajuda, conseguiu parar de chorar. Conseguiu atingir aquilo que ambicionava na altura. Essa adolescente, agora jovem, já só tinha recaídas nos dias mais difíceis, mas levantava-se e sorria, gargalhava até.

Essa adolescente, depois jovem, agora adulta, caiu muitas mais vezes, teve muito mais fases negras. Mas, contrariamente ao que acreditava, ela conseguiu. Ela consegue! Pode demorar. Oh, se demora! Mas ela consegue!

...
Hoje, no meio dos medos, das lágrimas, das responsabilidades, das rotinas, foco em lembrar-me daquela adolescente que fui. E, ao contrário do que fazia na altura, acreditar!

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